Jornalista, professor da UESC, produtor cultural, escritor e ator, Emiron deixa um legado de mais de três décadas dedicadas ao jornalismo, ao ensino e ao audiovisual baiano.

O sul da Bahia perdeu um dos seus maiores nomes da comunicação. Morreu, após enfrentar complicações de saúde, o jornalista, professor universitário, escritor, produtor cultural e ator Emiron Gouveia de Deus, profissional que marcou gerações de comunicadores e estudantes ao longo de mais de 30 anos de atuação.

Emiron foi um dos responsáveis pela implantação da TV Cabrália, a primeira emissora de televisão do interior do Nordeste, contribuindo diretamente para o fortalecimento do telejornalismo regional. Sua trajetória também ficou marcada pelo compromisso com a formação de novos profissionais da comunicação.

Desde 2004, atuava como gerente dos laboratórios do curso de Comunicação Social da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), onde era considerado uma das figuras mais queridas da instituição. Sempre disposto a ensinar, orientar e compartilhar experiências, transformava encontros informais em verdadeiras aulas sobre jornalismo, televisão, fotografia e produção audiovisual.

A notícia de sua morte provocou forte comoção entre colegas, ex-alunos, professores e profissionais da imprensa. Nas redes sociais, as homenagens ressaltam não apenas sua competência profissional, mas também sua generosidade, simplicidade e disposição para ensinar.

“Os corredores da UESC não serão mais os mesmos sem Emiron”, escreveram amigos e colegas em diversas manifestações de pesar. Outros destacaram que suas conversas se transformavam em verdadeiras aulas e que sua presença era indispensável na formação de quem escolheu a comunicação como profissão.

Nos bastidores das produções audiovisuais, Emiron também era reconhecido pela dedicação e pelo olhar técnico. Quem trabalhou ao seu lado lembra que ele sempre encontrava tempo para orientar os mais jovens, corrigir detalhes e incentivar novos talentos, tornando cada produção um ambiente de aprendizado.

Além do jornalismo, Emiron construiu uma carreira sólida nas artes. Participou do curta-metragem Money, dirigido pelo professor Dirceu Martins Alves e gravado no bairro Salobrinho, em Ilhéus. Também integrou o elenco ou a produção de obras como A Coleção Invisível (2012), A Finada Mãe da Madame (2016), As Margens de Canavieiras (2021) e do curta Dente de Ouro (2015). Sua ligação com o teatro começou ainda na década de 1980, nos palcos de Itabuna.

UESC lamenta a perda

Em nota oficial, o reitor da Universidade Estadual de Santa Cruz, Alessandro Fernandes, destacou a importância de Emiron para a instituição.

“Ao longo de sua trajetória na UESC, Emiron Gouveia se destacou pela competência, dedicação e compromisso com a formação acadêmica de inúmeras gerações de estudantes. Sua atuação foi decisiva para o fortalecimento do Curso de Comunicação Social, contribuindo para a consolidação dos laboratórios como espaços de aprendizagem, experimentação e inovação, sempre pautado pela excelência técnica, criatividade e espírito colaborativo.”

Para a comunidade acadêmica, a despedida representa a perda de um profissional que ultrapassou os limites da sala de aula. Emiron foi mentor, amigo e inspiração para centenas de estudantes que hoje atuam no mercado de trabalho.

Seu legado permanece vivo em cada jornalista, cineasta e comunicador que recebeu seus ensinamentos. Mais do que equipamentos, laboratórios ou produções audiovisuais, Emiron ajudou a formar pessoas.

Sua ausência deixará saudades das conversas nos corredores da universidade, das orientações durante as gravações, do entusiasmo em cada novo projeto e da humildade com que compartilhava conhecimento. O sul da Bahia se despede de um dos grandes mestres da comunicação regional, cuja história permanecerá viva na memória de alunos, colegas, amigos e admiradores.

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