Relatos envolvem jornada de trabalho, estrutura operacional, contratação de pessoal e demissão por justa causa; empresa reconhece parte das práticas e apresenta sua versão.

A operação da JET em Ilhéus passou a ser alvo de questionamentos após um ex-funcionário procurar a imprensa para relatar situações que, segundo ele, teriam ocorrido durante o período em que trabalhou para a empresa responsável pelo serviço de patinetes elétricos no município.
As denúncias incluem suposta ausência de pagamento de horas extras, condições inadequadas no ponto de apoio utilizado pelos trabalhadores, utilização crescente de contratos intermitentes e prestadores de serviço via MEI, além da falta de equipamentos que, segundo o ex-colaborador, seriam necessários para garantir melhores condições de trabalho e segurança durante as atividades realizadas nas ruas da cidade.
De acordo com o relato, o espaço de apoio operacional localizado nas proximidades da Praça Cairu apresentaria problemas estruturais, incluindo um banheiro que, segundo os trabalhadores, precisava ser limpo pelos próprios funcionários antes de ser utilizado.
O ex-funcionário também questiona a condução de exames toxicológicos realizados durante o período em que atuava na empresa. Segundo ele, dois testes teriam sido aplicados em um curto intervalo de tempo, sem que os resultados fossem formalmente apresentados. Pouco tempo depois, acabou desligado por justa causa.
Em busca de esclarecimentos, a reportagem entrou em contato com o coordenador da JET em Ilhéus, Kalab, que respondeu aos questionamentos sobre as denúncias.
Durante a conversa, o representante confirmou que a empresa utiliza atualmente contratos intermitentes e prestadores de serviço registrados como Microempreendedores Individuais (MEI), modelo que passou a integrar parte da operação local. Sobre o pagamento de horas extras, afirmou que os funcionários contratados sob o regime CLT cumprem jornada de oito horas diárias e podem realizar até duas horas adicionais de trabalho.
Questionado sobre relatos de jornadas que teriam se estendido durante períodos de maior demanda, especialmente nas festividades de fim de ano, o coordenador afirmou não se recordar das situações mencionadas.
Outro ponto abordado pela reportagem foi a utilização de aparelhos celulares para operação dos sistemas da empresa. Segundo Kalab, os trabalhadores recebem um valor referente ao uso da internet durante a execução das atividades. Ele também afirmou que, em casos de roubo ou furto dos aparelhos utilizados na operação, a empresa providencia a reposição do equipamento.
Sobre a demissão do ex-funcionário, o coordenador declarou que o desligamento ocorreu após um exame toxicológico que teria identificado o uso de substâncias entorpecentes. Não foram apresentados detalhes adicionais sobre o procedimento ou sobre eventual comunicação dos resultados ao trabalhador.
A reportagem também recebeu uma denúncia relacionada a um veículo utilizado na operação da empresa, que estaria estacionado de forma irregular em uma rua do bairro Pontal. Ao ser questionado, Kalab assumiu a responsabilidade pelo veículo e afirmou que não percebeu que o estacionamento poderia dificultar o acesso às vagas de moradores da região.
Atualmente, segundo informações da própria empresa, a JET opera com 192 patinetes elétricos em Ilhéus e estudava ampliar sua presença no município com a chegada de novas bicicletas elétricas para reforçar a frota.
As denúncias relatadas pelo ex-funcionário não possuem, até o momento, confirmação por parte de órgãos fiscalizadores ou decisão judicial. Ainda assim, os relatos lançam luz sobre aspectos da operação local da empresa e levantam questionamentos sobre condições de trabalho, formas de contratação e gestão da equipe responsável por manter o serviço em funcionamento na cidade.


