
Enquanto muita gente reclama da maré, ele aprendeu a surfar nela.
O ilheense Dijackson Santos, o nosso eterno “Gato de Botas”, fez história mais uma vez neste fim de semana ao conquistar o tricampeonato no Surf Brasil Parasurf 2026, em Porto de Galinhas, Pernambuco. E não foi de qualquer jeito. O filho de Ilhéus cravou nota 10, bateu recorde da competição e mostrou ao Brasil inteiro que limite, muitas vezes, mora apenas na cabeça de quem desiste cedo demais.
Numa terra onde tantas notícias insistem em falar de abandono, crise e promessas não cumpridas, um homem entra no mar e lembra ao povo que Ilhéus ainda produz gigantes. Não gigantes de terno e gabinete. Gigantes de alma.
Gato de Botas não venceu apenas uma competição. Ele venceu estatísticas, venceu dores, venceu olhares tortos e venceu aquele silêncio cruel que o esporte paralímpico enfrenta diariamente no Brasil.
E talvez o mais bonito de tudo seja isso: enquanto alguns esperam aplausos para continuar, ele continua mesmo sem aplauso nenhum.
O mar conhece os fortes. E Ilhéus deveria aprender a reconhecer também.
Porque, no fim das contas, existe um tipo de campeão que sobe no pódio… e existe outro que carrega uma cidade inteira nas costas sem deixar de sorrir.
E o Gato de Botas já faz isso há muito tempo.


